Música e ministro: a graça e a técnica na evangelização

A música é um meio muito eficaz de evangelização; ela vai a lugares onde não podemos ir, leva-nos a tomar decisões, mexe com os nossos sentimentos, expressa o que não conseguimos falar; enfim, é um instrumento muito poderoso e que precisa ser administrado de forma ousada e com muita sabedoria, a fim de que a voz de Deus alcance o coração das pessoas.

A nossa música (religiosa) precisa ser esse canal, essa ponte que promove um encontro com Deus. Por isso ela deve ser ministrada por homens e mulheres que possuam uma vida de oração e de intimidade com Deus muito profunda. A nossa preocupação não pode estar apenas na aquisição de bons equipamentos (apesar de eles serem, sem dúvida, parte essencial para a boa qualidade da evangelização), pois o que adianta termos bons instrumentos se não formos bons ministros, pessoas entregues a Deus e abertos à ação do Espírito Santo? Precisamos ser instrumentos nas mãos do Senhor, e permitir que Ele nos use da forma como lhe aprouver.

A entrega é algo de suma importância para um ministro; Deus não resiste a um coração entregue. Quando estamos nesta posição, as portas do céu se abrem sobre nós, e tudo é possível. Só dessa forma conseguiremos (como instrumentos de Deus) resgatar muitas almas da goela do leão. Por meio da nossa entrega, muitas vidas serão restauradas.

Compreendamos que a experiência com o amor de Deus precisa nos levar ao encontro do outro, para amá-lo e servi-lo da melhor forma possível, com tudo o que temos de melhor. Jesus é o maior exemplo disso, pois por amor Ele deu o melhor de si: a Sua vida! O seu dom é para ser colocado a serviço das pessoas, e da melhor forma possível. Muitos ministérios e ministros ainda não entenderam essa realidade dentro do seu serviço ao próximo na Igreja de Jesus, por isso não se preocupam em dar o melhor de si e acabam sendo “tocadores”, “cantores”, e não ministros.

Devemos dar o melhor de nós em favor do povo que somos chamados a evangelizar. Claro que a unção e a graça de Deus são indispensáveis; sem elas nada adianta. Sem a unção e a graça de Deus a nossa música e a nossa ministração se tornam vazias. Mas é preciso fazer a junção entre técnica e unção, conhecimento e graça de Deus. Entendo que precisa haver esse equilíbrio, para que sejamos, de fato, bons servos.

Na minha experiência, percebo que sem a graça de Deus eu não teria chegado até aqui; não teria visto tantas pessoas se achegarem a Deus nos momentos em que eu me encontrava ministrando; sem ela nunca teria conseguido compor uma música sequer, e tampouco teria ouvido as pessoas dizerem o quanto foram tocadas por essa ou aquela composição. Reconheço que tudo o que sou até hoje é graças à ação maravilhosa do Espírito Santo, que escolhe quem quer e age da forma que quer. Eu queria que você me ouvisse cantando há dez anos atrás; realmente era só a graça. E nem por isso (pelo fato de ter uma voz muito nasal) o Senhor deixou de me usar.

Mas como é bom me ouvir, hoje, e perceber o grande crescimento que o Senhor me concedeu por meio da dimensão técnica. Isso me ajudou e ser melhor no exercício do meu ministério. Esse crescimento foi alcançado com muita dedicação, esforço e humildade. Dedicação para estudar, esforço para me superar e humildade para aprender. Pois uma coisa que sempre me ajudou bastante foi pedir que os meus companheiros de missão me analisassem, porque não conseguimos enxergar tudo, e é difícil crescer sozinho.

Para que eu melhorasse, foi preciso que eu ouvisse e me abrisse às críticas dos que me cercavam, e valeu à pena. No começo, foi difícil reconhecer que eu precisava melhorar no meu cantar, mas foi necessário. Outra coisa importante que me ajudou foi à abertura para aprender com aqueles que estão há mais tempo na caminhada. Nesse sentido, sou muito grato ao meu “professor” e irmão, Rogério Santos. Tenha boas companhias! Tire proveito do Jesus que passa na pessoa do irmão; não seja fechado, somos dependentes uns dos outros.